Pular para o conteúdo principal

Do luto a aceitação: O caminho da bruxa da série WandaVision.


 

Pôster promocional da série "WandaVision".

Esse era um texto que eu queria escrever fazia tempo, uma análise de série, mas de um ponto de vista mais espiritual do que elas causam em mim. A escolhida para abrir essa sessão em meu blog é a fabulosa WandaVision.

Criada por Stan Lee e Jack Kirby, Wanda Maximoff ou a Feiticeira Escarlate, é uma heroína controversa nos quadrinhos da Marvel e uma das mais carismáticas.

Desde que a Marvel revolucionou o universo de adaptações para o cinema de seus quadrinhos, ela se tornou um  espelho que reflete todos os aspectos que regem as emoções e as complexidades de cada um.

Mas apesar do seu carisma consolidado nos quadrinhos, Wanda nunca teve muito destaque dentro da franquia cinematográfica de “Os Vingadores”. Nos filmes nos quais ela apareceu, ela era apenas uma mera personagem secundária, não tendo o destaque que ela merecia.

Wanda Maximoff em "Os Vingadores: A era de Ultron" marcando sua estreia no universo Marvel

Na sua biografia para o universo do MCU (Marvel Cinematic Universe) Wanda, era uma jovem refugiada do país fictício Sokovia, e que se ofereceu de cobaia para uma das organizações antagonistas dos quadrinhos da Marvel, a Hydra, e depois de experimentos com a joia da mente, ela teve seus poderes ampliados.

Sua história também foi muito marcada por perdas:  durante a sua infância foram seus pais, durante os eventos do filme “A era de Ultron”, seu irmão Pietro Maximoff (o Mercúrio) e em “Os Vingadores: Guerra Infinita”, o amor da sua vida o sintozóide Visão—sendo essa última, a perda mais sentida e que originaria a série WandaVision (que se traduzirmos ficaria Wanda Visão, a visão da Wanda. A sua jornada e a sua visão que fez com que eu me identificasse com a personagem ainda mais).

 

WandaVision: uma síntese dos 5 estágios do luto.

Wanda desolada, no complexo da E.S.P.A.D.A tentando recuperar o corpo do Visão.

Apenas poucos dias do final do último filme de “Os Vingadores” (Os Vingadores: Ultimato), uma já deprimida Wanda, invade o complexo da E.S.P.A.D.A (Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena ou em inglês S.W.O.R.D— Sentient World Observation and Response Department) tentando recuperar o corpo do seu amado Visão, Wanda é apresentada ao processo de desmonte do sintozóide e saí dali arrasada e perdida.

Ela dirige até Westview, uma pacata cidade localizada em Nova Jersey e ali visita um terreno  com a base de uma casa que a série deixa a entender que o Visão tenha comprado para que eles ali vivessem. Com toda a dor do seu coração e seus magníficos dons, ela inconsequentemente, sequestra a cidade inteira criando um domo hexagonal, cria uma versão “condicional” do Visão a partir de suas memórias e inicia a viver em seu sonho de estrela de sitcons (as séries americanas de situações cômicas).

Jacqueline Schaeffer foi a criadora da série WandaVision. Ela fez, além de grandes homenagens a seriados clássicos como: A Feiticeira, I Love Lucy, Family Ties, etc., uma viagem por entre os 5 estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação—sendo a última não só aceitação da perda do Visão, mas como a “perda temporária” das duas entidades mais fofas da série os seus filhos gêmeos Billy e Tommy ( os futuros Jovens Vingadores: Célere e Wiccano) e a sua auto aceitação (a qual eu falarei mais à frente no texto).

Deu para notar o enfoque de um protagonismo mais feminino que a série teve, dando destaque a outras duas grandes mulheres que se destacaram na série. A primeira foi: Monica Rambeau (a futura Fóton/Espectro), filha da ex-diretora da E.S.P.A.D.A Maria Rambeau e que retornou do evento Blip (causado por Thanos em Guerra Infinita), Monica é chamada para investigar Westview e se torna parte das vítimas do luto de Wanda. Ao confrontá-la durante um dos episódios, Wanda a expulsa e com isso acaba dando a Monica os seus futuros poderes.

Monica despertando como Fóton, na segunda vez dentro do hex.

Monica é uma mulher forte e justa e talvez a única que compreendeu o que estava acontecendo, pois em seu momento de “atuação” dentro do luto de Wanda ela conseguiu se conectar com Wanda, o mais próximo de uma espécie de amiga se assim pudermos dizer (Monica foi interpretada pela excelentíssima Teyonah Parris). Mas o outro destaque maior dentro da série, foi a vizinha enxerida Agnes (um codinome para a “vilã” Agatha Harkness).

Foi a Agatha e ela não precisou de mais ninguém! (desculpem-me, fãs do Mephisto).

"Foi a Agatha e mais ninguém!" Agatha ganhou até uma trilha sonora.

A história original da personagem Agatha Harkness, nos quadrinhos é ser a mentora de Wanda e na série ela também não deixou de ser de certa forma. Porém aqui, eles deram o papel de “vilã” a antiga bruxa sendo retratada como uma ambiciosa feiticeira que quer controlar ou retirar todos os poderes da protagonista.

Agatha é o oposto do que a Wanda é na série: Sexy, ousada, segura de si e suas habilidades, esperta, etc., é como se ela fosse o retrato perfeito da aceitação, do que Wanda viria a ser.

Na vida, encontramos várias pessoas  que agem como “professoras” assim como Agatha: são pessoas que nos forçam a encarar as nossas verdades, que nos instigam e nos inspiram a nos aceitar. E ao mesmo tempo, são pessoas que nos ensinam a não ter tanta confiança nas outras pessoas—já que  dentro da série, ela tem o interesse focado na absorção da magia de Wanda.

Agatha faz com que Wanda revisite suas memórias e assim descobre que Wanda, era a destinada a ser a Feiticeira Escarlate, uma bruxa com poderes ilimitados e que poderia destruir todo o mundo (e provavelmente também, o multiverso).

A vejo, como aquele arquétipo do guia espiritual ambicioso, (já tive uma pessoa assim em minha vida) que até te ajuda a despertar para uma nova vida, mas desde que você não o supere.

O conflito final entre as duas é um verdadeiro show de interpretação de Elizabeth Olsen (Wanda) e Kathryn Hahn (Agatha) assim como de efeitos especiais, mas o interessante do conflito, na minha opinião foi o confronto de Wanda com a realidade. Ao ter suas cordas cortadas, “os marionetes” de Westview fizeram Wanda ver o que  ela também causou a cada um deles, Wanda em muitos momentos vê Visão, Billy e Tommy, se desfazendo, pois eles eram apenas frutos dos seus impressionantes poderes de feiticeira do caos.

Contudo quando há a transformação de Wanda em Feiticeira Escarlate, vemos o ciclo completo dos 5 estágios e acaba nos trazendo a reflexão do que a morte pode trazer a nós que estamos vivos: transformação e transmutação. Ela enxerga a si própria como uma força cósmica e maravilhosa, livre de qualquer dogma ou regra, ela se vê como uma mulher que é capaz de tudo, criar ou destruir, viver em uma fantasia ou estudar uma maneira de realizar seus desejos no plano real. Wanda era a partir dali uma mulher que se aceitava no seu caminho da bruxa.

Wanda transformada em Feiticeira Escarlate.

O caminho da bruxa e a aceitação.

Hoje depois de um tempo, vejo que WandaVision é uma série que fala mais de aceitação, do que do próprio luto. Wanda começou desde cedo perdendo tudo, mas mesmo assim foi forte o suficiente para continuar a trilhar a sua estrada solitária.

Na segunda cena pós-crédito do episódio final do seriado, ela é vista estudando o livro Darkhold (um livro de magia do caos do universo da Marvel), onde ela começa a jornada para encontrar seus filhos (Já confirmado como um dos eventos do próximo filme do personagem Doutor Estranho “O Multiverso da Loucura”).

Wanda estudando o Darkhold, em busca dos filhos.

Mas a cena é muito simbólica: Wanda que antes sequestrou uma cidade inteira e que criou seres condicionais para viver seu sonho de família perfeita, agora se encontra na solitude, trilhando o caminho do autoconhecimento.

Ela se aceitou como uma bruxa poderosa, sexy, dona de si e com plena confiança em seus poderes, é o retrato da mulher que se ama e se aceita em primeiro lugar, antes de se entregar a alguma relação de qualquer natureza.

Ela entende os seus poderes e faz com que eles se tornem a chave, para conquistar o que ela desejar, sem depender dos outros e de qualquer aprovação. Ela é um modelo, não só para a mulher, mas para qualquer pessoa que persiga um propósito depois de tantas perdas, ou que passa por um momento de desesperança.

Me identifiquei com ela neste aspecto: Já que como ela, passei pelo luto da perda da minha mãe e do meu emprego estável, fingi estar tudo bem, barganhei com o Universo, com Deus, com a Deusa, passei por momentos onde eu também me senti sem rumo e quando eu me permiti a silenciar e a abraçar o meu caos, me descobri um ser que pode e que é capaz de realizar qualquer coisa que eu sonhar.

Às vezes a vida pode ser difícil, mas você tem o dom de se transmutar e também o de abraçar suas trevas e a sua luz e assim criar ou mudar os rumos do seu destino.

E é essa a minha conclusão deste texto, era trazer a você uma reflexão de que você é capaz de transformar a sua realidade, capaz de se tornar um só com você e aceitar as suas qualidades e imperfeições tornando-as o combustível que impulsionará as mudanças que você deseja fazer em sua vida.

Nunca mais duvide de você! Siga o caminho da bruxa, siga o caminho da sua aceitação e continue seguindo o blog, “A arte da vida” e transforme a sua vida em uma obra de arte.

Até mais!










Comentários

  1. Sensacional! Texto muito bem escrito. Parabéns.

    ResponderExcluir
  2. Que perfeição, lindo e emocionante texto!

    ResponderExcluir
  3. Como sempre uma leitura enriquecedora. Já gostava da série e com o conteúdo extra que você buscou, mal posso esperar para ver o que vai acontecer.

    ResponderExcluir
  4. Q texto e análise meus amigos! Tão perfeito quanto a série em questão! ❤️

    ResponderExcluir

Postar um comentário